Até agora, 2019 está sendo o melhor ano para startups da América Latina

Só no primeiro semestre, foram investidos US$ 2,6 bilhões em marcas nascidas na região; Colômbia supera Brasil em porcentagem de venture capital

A América Latina, que começou a chamar a atenção após o surgimento de empresas como a fintech Nubank e o serviço de entregas Rappi (que, em outros países, já funciona como plataforma de pagamento) ficou ainda mais em evidência quando, em março, o SoftBank anunciou a criação de um fundo de US$ 5 bilhões para auxiliar no crescimento dos negócios locais e fomento de novas startups no setor.

Com os cálculos do primeiro semestre de 2019 encerrados, já é possível dizer que o interesse realmente se traduziu em injeção de capital.

Segundo dados da Associação de Investimento de Capital Privado na América Latina (LAVCA, em inglês), o investimento de venture capital em startups latino-americanas totalizou US $ 2,6 bilhões, divididos em 160 transações. Para comparação: em todo o ano de 2018, foram arrecadados, US$ 2 bilhões distribuídos em 463 transações.

Levando em conta que, em 2016, o número total de VC levantado foi de US$ 500 milhões e, em 2017, a soma foi de US$ 1,1 bilhão, é possível enxergar com mais clareza o boom de investimentos ocorrido nos últimos anos.

Brasil tem destaque, mas Colômbia sai na frente

De acordo com dados da LAVCA, ColômbiaBrasil e México representam 91,9% dos dólares investidos na região durante o primeiro semestre e 84,9% dos negócios fechados entre investidores e fundadores.

Apesar de a maioria dos negócios terem sido fechados no Brasil (55,3%), a Colômbia foi o país que recebeu mais recursos gerados por venture capital, acumulando 41,3% do todo. Nessa conta, o Brasil ficou com 39,5% da participação.

Transformando esses percentuais em números, as startups colombianas faturaram cerca de US$ 1,06 bilhão em financiamentos divididos 13 transações, enquanto 88 startups brasileiras capturaram US$ 989 milhões. Já o México,  contou com US$ 310 milhões divididos para 34 startups.

A Colômbia assumiu a dianteira de investimentos por conta do aporte de US$ 1 bilhão recebido em maio pela startup Rappi via SoftBank. O banco japonês também esteve envolvido nas rodadas de investimentos da Buser, do mercado de mobilidade, e do Quinto Andar, de imóveis.

Dos US$ 5 bilhões reservados pela instituição para a América Latina, cerca de US$ 2 bilhões já teriam sido investidos em negócios da região.

Progresso local

Durante a ABES Software Conference, evento que ocorreu nesta segunda (14) na capital paulistana, profissionais que acompanham o desenvolvimento das companhias e investidores brasileiros durante os últimos anos percebem uma evolução significativa do cenário nacional.

Andrew Tsao, diretor executivo do Global Gateway do Silicon Valley Bank, destacou o papel que os fundos de venture capital brasileiros têm de conectar startups nacionais com grandes fundos globais. “Eles têm a expertise necessária para apresentar essas empresas aos grandes fundos”

Margarise Correa, fundadora e CEO da BayBrazil, que conecta empresas nacionais com o Vale do Silício, e Daniel Skaba, co-Fundador e CEO da IBI-Tech, centro de inovação baseado em Israel, acreditam no potencial das empresas brasileiras em se destacar no mercado internacional, mas reforçam que a mentalidade dos fundadores precisa mudar.

“As empresas precisam ter a mentalidade de pensar de forma global desde o início. O fato de que o Brasil é um mercado grande faz com que muitas empresas pensem primeiro de forma local. Mas acho que, nos últimos 3 ou 4 anos, as startups já estão com mais essa visão sobre o quanto ser global é importante”, ressalta Correa.

Já para Skaba, a cooperação entre marcas é um fator crucial para o fomento de novos negócios no Brasil. “Não tem como chegar a soluções verdadeiras, seja por questões de target-to-market, sem colaboração”. Para o fundador, as marcas brasileiras só conseguirão dar “o próximo pulo” quando perderem o medo de apresentar uma ideia ou pedir ajuda a outras empresas para, assim, criarem soluções mais robustas.

“Quanto os empreendedores brasileiros precisam entender que é importante ‘gritar’ quando se tem uma solução ou um problema; porque, eventualmente, alguém vai te escutar e essa outra pessoa vai ter a sua solução ou te ajudar no que precisa”, finaliza.

Fonte: Computerworld com Crunchbase

15 de outubro de 2019

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