Investimentos em startups gaúchas chegam a US$ 200 milhões, aponta estudo

Um ecossistema de inovação mais maduro, com recorde de investimentos em 2020 – chegando a US$ 200 milhões investidos – e negócios de peso fechados por startups como Nelogica, Agibank e Warren. O RS Tech: uma fotografia do ecossistema de inovação do Rio Grande do Sul, estudo realizado pelo Instituto Caldeira e a plataforma de inovação aberta Distrito, e apresentado ontem em Porto Alegre, mostra que o Rio Grande do Sul avança a passos largos no fortalecimento do seu ambiente.

O levantamento aponta um aumento no número de startups gaúchas mapeadas, passando de 422 em 2019 para 661, crescimento de 57%. Um dado que reforça a importância do movimento que vem sendo acelerado por aqui nos últimos anos é o que evidencia o fortalecimento do setor.

Em 2019, 14,7% das empresas tinham mais de 20 funcionários; em 2021, 49,4% delas tinha esse mesmo volume, aumento de 236% e um índice de maturidade de uma região que emprega 15.620 colaboradores. O destaque é para a categoria de Real Estate que mesmo representando 5,4% das startups emprega 10,3% dos colaboradores.

“O que vemos é um grau de maturidade muito significativo das nossas startups. São operações que estão empregando mais pessoas e crescendo as suas estruturas”, destaca o diretor executivo do Instituto Caldeira, Pedro Valério. O RS Tech contou com apoio de diversas instituições como Sebrae-RS, Tecnopuc, Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação (Reginp) e Associação Gaúcha de Startups (AGS), entre outros.

Desde o terceiro semestre de 2020 o mercado gaúcho segue com fortes investimentos. Em 2019, foram aportados R$ 11,9 milhões nas empresas locais; número que passou para R$ 202,9 milhões em 2020. Neste ano, até julho, o total foi de R$ 77,2 milhões. O primeiro semestre de 2021 é o melhor da história ultrapassando inclusive o primeiro semestre do ano passado.
“O estudo mostra crescimento significativo do número de startups, negócios se reinventaram e muitos empreendedores abriram novas frentes de negócios”, reforçou Marciano Testa, um dos idealizadores e presidente do Instituto Caldeira.

O cofundador e CEO do Distrito, Gustavo Araujo, disse que os resultados da pesquisa são animadores. “O Rio Grande do Sul já se posiciona como um dos principais ecossistemas do Brasil. Esperamos novas scaleups e unicórnios saindo daqui e se tornando cada vez mais referência no Brasil e na América Latina. É isso que os dados sinalizam”, comentou.

Nelogica (US$ 102,2 milhões), Warren (US$ 81 milhões) e Agibank (US$ 75,1 milhões) foram as empresas mais investidas. A maior concentração de número de deals segue em fases iniciais, um comportamento comum do mercado de Venture Capital. A partir de 2018 começaram a aparecer os deals Series A até chegar em 2021 com o primeiro Series C, da Warren. Negócios realizados por empresas como Aegro, Aquiris, e PIX Force também foram destaque.

Aceleradoras, plataformas de crowdfunding e gestores de fundos early stages são responsáveis pela grande maioria da quantidade dos deals gaúchos. Com destaque para a WOW Aceleradora de Startups (21), Ventiur (12) e Bossa Nova Investimentos (5).

A partir de 2020 o apetite por aquisições dominou o mercado gaúcho. Em 2020, cinco empresas buscaram no mercado gaúcho empresas para aquisição; em 2021 foram mais oito. O destaque vai para Locaweb, com 13 aquisições nos últimos dois anos, três delas no Estado (Bling, Melhor Envio e Dooca Commerce).

A concentração na capital Porto Alegre prevalece. A capital é a que conta com um ecossistema mais ativo economicamente, reunindo 16,9% do PIB do Rio Grande do Sul, seguido de Caxias do Sul (5,4%).
O ecossistema empreendedor

Atualmente, 28 setores formam o ecossistema empreendedor do Rio Grande do Sul. Na comparação com o report de 2019, os que mais evoluíram foram HRtech com aumento de 9 para 23 startups, edtech com aumento de 14 para 37 e Retailtech com aumento de 32 para 60 soluções de tecnologia.
B2B continua, assim como em todos os estudos da Distrito, sendo o principal foco dos empreendimentos digitais – oito em cada 10 soluções são voltadas para o público B2B. MarTech é o setor que tem maior quantidade de negócios voltados ao B2B com 7,72%. Já Healthtech é o setor que tem maior quantidade de negócios voltados ao B2C, com 3,33%.

A concentração na capital Porto Alegre prevalece. A capital é a que conta com um ecossistema mais ativo economicamente, concentrando 16,9% do PIB do Rio Grande do Sul, seguido de Caxias do Sul (5,4%).

 

  • Fonte: Jornal do Comércio
  • Imagem: Freepik
  • 14 de dezembro de 2021

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