Moeda digital: qual será o modelo vencedor? O mercado não sabe

Assim como o Brasil, diversos países estudam a criação de moedas digitais oficiais, lançadas pelos Bancos Centrais. No entanto, ainda não existe um consenso de como serão as chamadas CBDCs — do inglês, central bank digital currency. Enquanto países da Europa e Cingapura vão para o lado de CBDCs voltadas para o pagamento de atacado, China, Suécia e Bahamas trilham o caminho dos pagamentos instantâneos.

O Brasil, conforme explicou o presidente do BCB, Roberto Campos Neto, vai na direção de criar uma moeda digital com o objetivo de fomentar novos modelos de negócios, um encaminhamento compartilhado por Canadá e Coreia do Sul. Por aqui, a CBDC deve incentivar novos negócios e proporcionar às pessoas a tokenização de seus ativos.

Durante painel no Febraban Tech, realizado de 09 a 11 de agosto, Driss Temsamani, líder de digital do Citibank para a América Latina; Johan Gerber, vice-presidente-executivo de segurança e inovação cibernética da Mastercard, e Ron Raffensperger, CTO para transformação digital e a indústria de serviços financeiros da Huawei, debateram como tem sido a evolução das CBDCs no mundo.

“O papel-moeda desapareceu, todos pagam com código QR. Eu trabalho muito em países em desenvolvimento e os governos estão buscando alternativas para deixar os pagamentos mais fáceis”, disse Ron Raffensperger, da Huawei. Segundo ele, ainda que haja uma crescente preocupação com privacidade e segurança, o uso de mecanismos digitais vai crescer.

Para Johan Gerber, da Mastercard, as moedas digitais farão parte do dia a dia das pessoas, mas ainda é cedo — e difícil — entender qual modelo de CBDC será vencedor. “Depende da estratégia de cada país”, afirmou. “A situação de cada país é diferente, mas o fato é que as CBDCs são uma nova forma de dinheiro”, completou Temsamani, do Citibank.

Ao criar uma moeda digital, é necessário, conforme assinalou Gerber, entender o problema que se quer resolver para, assim, criar mecanismos de endereçá-lo. “Fundamentalmente, a CBDC deve resolver um problema para as pessoas do país; tem de olhar para problemas locais e ao mesmo tempo endereçar globalmente, com suporte e interoperabilidade transfronteiriços”, acrescentou o executivo da Mastercard.

A promessa é que as moedas digitais permitam acesso a serviços financeiros com maior transparência. Os painelistas concordaram que o sucesso das CBDCs está calcado, principalmente, na confiança que o usuário tenha no sistema. E isso, claro, passa pela questão da segurança e da privacidade dos dados. “Security by design, privacy by design: você precisa ter uma base de princípios que todos do ecossistema vão seguir, um mínimo de padrões a serem seguidos”, apontou Johan Gerber, da Mastercard.

Eles também concordaram que as moedas digitais abrem uma enorme janela de oportunidade para incluir mais gente no sistema financeiro. “Existe a oportunidade de alcançar a economia informal com as CBDCs”, apontou Ron Raffensperger, da Huawei, empresa que tem trabalhado com bancos centrais no desenvolvimento de moedas digitais.

“Ainda não temos um país que seja modelo em CBDCs, mas começamos a ver grupos de bancos centrais trabalhando juntos, criando casos de uso comuns e pensando em como implementar de forma compatível. CBDCs têm futuro e contratos inteligentes são uma grande parte disso. Mas para tudo confiabilidade é a chave”, acrescentou Raffensperger.

 

  • Fonte: Convergência Digital
  • Imagem: Freepik
  • 15 de agosto de 2022

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