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Acontece

Este é o espaço para apresentar o negócio e o que ele tem a oferecer. Defina as qualidades e os valores que.

RH como motor estratégico da inovação corporativa

Cultura, segurança psicológica e gestão de talentos colocam o RH no centro da capacidade inovadora das empresas.



A inovação domina o discurso das grandes empresas. Está presente em planejamentos estratégicos, apresentações de liderança e conversas de corredor. Mas, ao observar a prática, surge um paradoxo: quase todas as organizações afirmam que inovar é prioridade — e poucas estão, de fato, preparadas para fazer isso acontecer.


Estudo do Boston Consulting Group (BCG) aponta que mais de 80% dos empresários globais consideram a inovação uma prioridade estratégica, mas apenas cerca de 3% se sentem preparados para implementá-la com sucesso. O gargalo não está na tecnologia, mas nas pessoas.


A principal barreira à inovação não reside em ferramentas, inteligência artificial ou plataformas sofisticadas. Está na cultura organizacional: na forma como as pessoas trabalham, se conectam e tomam decisões. E é justamente nesse ponto que o desafio começa dentro do próprio RH.


De acordo com a pesquisa Transformação Digital no RH, da Think Work, 47% dos profissionais de Recursos Humanos têm medo de perder o emprego por causa da tecnologia. O dado é preocupante, especialmente porque o RH deveria liderar essa transformação. A área precisa deixar de ser vista apenas como responsável por folha de pagamento e compliance para assumir um papel estratégico: ser o hub que desenha, nutre e protege a cultura de inovação.


Inovar exige segurança psicológica


Inovar é experimentar, e experimentar envolve risco. Em ambientes tradicionais, muitos profissionais evitam o risco por medo de errar e serem punidos. Cabe ao RH criar condições de segurança psicológica, por meio de políticas de feedback e estruturas de reconhecimento que valorizem o aprendizado, e não apenas a perfeição da entrega.


É preciso institucionalizar o aprendizado a partir do erro. Quando um projeto falha, a pergunta central deve ser “o que aprendemos com isso?” — e não “quem errou?”.


Recrutar mentalidade, não apenas currículo


Outro papel crítico do RH está no recrutamento. A inovação exige equipes movidas por curiosidade, adaptabilidade e colaboração — atributos que nem sempre aparecem em títulos de cargo ou formações técnicas.


Recrutar pela mentalidade significa abrir espaço para profissionais capazes de conectar áreas, provocar reflexões e encontrar novos caminhos onde antes existiam apenas processos engessados.


Desenvolvimento como motor da inovação


É responsabilidade da gestão de talentos investir no desenvolvimento de metodologias que destravem o potencial criativo das equipes. Isso inclui capacitações em Design Thinking, Design Sprints, Customer Development e metodologias ágeis.


Esse desenvolvimento intencional, envolvendo profissionais de diversas áreas — inclusive o próprio RH — garante que ideias estratégicas sejam não apenas criativas, mas também viáveis e escaláveis.


A inovação é transversal. Ela não pertence a uma área específica, mas depende da fluidez da comunicação entre elas. Estruturas organizacionais rígidas são, portanto, um dos maiores obstáculos à inovação.


O RH precisa atuar como designer de estruturas organizacionais que promovam colaboração e agilidade. Isso implica facilitar a mobilidade interna, formar equipes multifuncionais temporárias e permitir que a autoridade seja exercida pela expertise, e não pelo cargo. Essa mudança estrutural tem impacto direto na capacidade  produtiva das empresas.


Inovação precisa entrar na lógica de reconhecimento


Um erro recorrente nas organizações é exigir inovação sem associá-la a mecanismos claros de reconhecimento e remuneração. Normalmente, equipes são avaliadas por metas de curto prazo, como vendas, NPS ou ROI. Mas como reconhecer uma iniciativa que falhou, embora tenha gerado aprendizados valiosos? Ou um projeto cujo retorno só virá em médio ou longo prazo?


A obsessão por resultados imediatos pode sufocar projetos promissores antes que amadureçam. Enquanto a inovação não fizer parte dos critérios de avaliação, bônus e planos de desenvolvimento, ela continuará sendo apenas um discurso.


Cabe ao RH estruturar incentivos claros e integrar a inovação às métricas centrais da organização.


O propósito humano da inovação


A inovação contínua é uma condição de sobrevivência no mercado atual — e ela não será impulsionada por máquinas se as pessoas não estiverem preparadas.


A agenda do RH está diretamente ligada à capacidade da empresa de inovar ao assumir o papel de catalisador cultural e gestor do potencial humano. Trata-se de calibrar o “sistema operacional” da organização para que a criatividade não morra na burocracia.


Nesse contexto, a área de Pessoas deixa de ser suporte e se consolida como uma função estratégica central para o futuro dos negócios.



Autoria: Leonardo Brandão

Imagem: Banco de Imagens Freepik

 
 
 

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